Por Luiza Novaes
Esse lugar já estava riscado e nesse caos nos entendíamos, no grafitte da parede entre tapas e a falta de beijos da nossa relação, eu abandonava para não sofrer em mim. Morria dentro para estar com você e não conseguia mais compreender as diversas línguas ao redor. O que éramos? Uma bagunça espalhada por um mundo nada organizado. E meu coração pulsava na ânsia de conhecer novos lugares e sentir o sol queimando na pele. Deveríamos repensar o que haveríamos de ter como meta para o nosso futuro. Estou sentindo a curva dos seus brincos batendo na sua pele já tão cansada de batalhar com os dragões. E o que sobra de nós no final da noite quando a lua é nossa única companhia?
Resenhas de um mágico festival que na realidade se propunha a ser um encontro...
1ª fase – o antes
Voluntários de todo o mundo, uni-vos!
Venham a Xela, Quetzaltenango para colocar em ordem um encontro de mudanças. Profissionalização de boa vontade em prol de um mesmo objetivo, fazer acontecer aquilo que a muito tempo foi apenas sonhado.
As estruturas físicas, sendo levantadas, quadros, notas musicais, e tantos outros adereços mudando o rumo de um espaço físico, ECON.
Aqui em Xela, todos somos maias, por que deles descendemos e assim, trazemos em nossas veias a tradição ancestral, responsável por modificar uma realidade cotidiana, contínua.
Continuávamos lembrando dos N’ aqual e com isso, nossa descendencia e também as formas que o corpo ocupa no espaço, seja pela motivação que o oprimido expressa ou pelo palco que o teatro propõe.
Aqui todos somos profissionais em sermos amadores!
Deixe para amanhã o cansaço, trabalhadores do evento, desistam da falta de perspectiva só do ontem!
1º dia
A invocação
Os preconceitos poderiam fazer parte de um processo de construção primária do que chamamaos de distância pela diferença.
A quem oramos? Quando pedimos é algo bom ou ruim? Há juízo de valor? Com essa perspectiva fazíamos uma retrospectiva do que havia nos trazido aqui.
Seja por conta da distância e do trabalho para fazer esse nível de deslocamento ou o sonho para construir um pouco de mudança social.
A garganta já reclamava, afinal o símbolo do evento expremia o amplificador...
Dos de ontem respeito, e a clareza que hoje é um caminho, para amanhã deixamos os sonhos. Só quem estava lá fora sabia o calor do fogo. Havia magia nas palavras e tantas culturas misturando-se sem pudor. Um pouco de tristezas lavadas na fogueira, abraços para cumprimentar os amigos e novos e tantos outros desejos de concretude para as lideranças do amanhã.
Nós vamos fazer teatro, somos os poucos de todo o mundo e pedimos licença a Deus para isso!
Um pensamento quase organizado!
Ainda que muitas vezes não saiba o caminho, pedindo sabedoria começamos a diburrar um lugar ao sol.